Natal

O dia 25 de dezembro, data em que se celebra o Natal e o nascimento de Cristo, perdeu completamente sua essência e significado. Além de não haver certeza de que o Messias realmente nasceu em tal data (tudo indica que não), o dia se transformou no “Dia Mundial do Consumismo”. Crianças, jovens, adultos e idosos aguardam ansiosamente a virada do dia 24 para iniciar a troca frenética de presentes entre familiares e amigos.
O assunto principal, mesmo em uma data supostamente errada, segue em segundo plano. Jesus Cristo é deixado de lado pela maioria das famílias, e a banalização do nascimento do nosso Senhor e Salvador o torna um mero coadjuvante em tal festividade. Não é difícil perceber essa realidade: basta entrarmos em qualquer shopping center de qualquer cidade brasileira e do Ocidente para constatar que o Papai Noel é muito mais simbólico para a data do que o próprio Jesus. Papai Noel está por todos os lados; as filas para uma foto chegam a ser quilométricas e concorridas.
Dificilmente veremos tal fila na porta de uma igreja para louvar ao Senhor dos Senhores, ao Príncipe da Paz, ao Dono de todo ouro e toda prata, ao Rei dos Exércitos, que deu a vida no madeiro para nos livrar de todo pecado do mundo. Deus entregou seu Filho unigênito para tirar o pecado do mundo e salvar a todos com sua graça e misericórdia. Mesmo sabendo disso, a maioria das famílias sequer pronuncia um Pai-Nosso na ocasião. Uma oração? Nem pensar. Ir à igreja? Aí é que é raridade mesmo, afinal, o chester não pode esfriar, a bebida não pode esquentar e os presentes precisam estar ali.
Enquanto assim for, não haverá um Natal de verdade. O brasileiro está acostumado a vestir branco, ver o show do Roberto Carlos, tomar uma sidra e abocanhar um chester com farofa. Cristo é secundário, dispensável e muitas vezes esquecido. É preciso, urgentemente, que se mude esse ritual.
O Natal é Cristo, o Natal é o nascimento de Jesus, o Natal é a chegada do Messias, que veio nos salvar com muito sofrimento e coragem, pois Ele já sabia que seu destino seria inevitavelmente aquele e que o rito seria cruel e doloroso.
Tirem, enquanto há tempo, da cabeça de vossas crianças a ideia de que o Natal é presente, é o velho barbudo que tudo dá, milagrosamente, por uma chaminé com renas aladas voando cidade afora. Isso beira o ridículo, é um verdadeiro desrespeito, é o cúmulo da enganação premeditada sobre crianças inocentes, que deveriam apenas saber que o Natal é Cristo e que Ele veio ao mundo para nos salvar.
Muitos poderão perguntar-me: “E seus filhos não acreditavam no bom velhinho de vermelho?”. Respondo com total tranquilidade, sim, até começarem a ter algum discernimento, pois logo em seguida eu já ia imediatamente avisando: “O Papai Noel sou eu, aquele é uma invenção, e o sentido da ceia e da lembrancinha de Natal é comemorar os 2022 anos do nascimento do homem mais importante que já pisou a face da terra.”
A inversão de valores no Natal reflete uma tendência mais ampla da sociedade em priorizar o material sobre o espiritual, o efêmero sobre o eterno. Ao transformar a celebração do nascimento do Salvador em uma corrida consumista, perdemos a oportunidade de transmitir às novas gerações os princípios de amor incondicional, sacrifício e esperança que são a verdadeira essência da fé cristã.
Esse vazio deixado pela ausência de significado preenchido por bens materiais acaba por gerar uma insatisfação crônica, onde a alegria da data se esvai tão rapidamente quanto o papel de presente rasgado, deixando para trás um sentimento de vazio e a ausência da verdadeira celebração.
É imperativo que os lares e as comunidades cristãs reassumam seu papel de guardiões da verdade do Natal. Isso implica em um esforço consciente para desmistificar as fantasias que ofuscam o significado original e, em vez disso, focar na história de fé, esperança e redenção que a vinda de Jesus representa. Que as celebrações sejam momentos de gratidão, reflexão e comunhão com Deus, onde a oração e a leitura bíblica ocupem o centro, e o amor ao próximo seja expresso não apenas em presentes, mas em atitudes de serviço e partilha.
Termino com a extraordinária frase do já falecido e extraordinário pastor Billy Graham, que disse certa vez:
“O maior acontecimento da história não foi o homem subir e pisar na lua, foi Deus descer e pisar na terra.”
Júnior Belchior

