Cristologia

O Perdão.

Perdão

Parece teoricamente fácil escrever sobre um tema bastante difundido mundo afora, tanto por pessoas simples até as mais importantes delas, como Jesus Cristo.

O fato é que não irei abordar o perdão como um ato conciliatório ou mesmo como simples desculpas. O perdão é muito mais do que isso, e raramente vejo alguma escrita nesse sentido, o que me levou a discorrer por essa via.

Perdão é, na verdade, um grande favor a si, um dificílimo favor em certas circunstâncias, é bem verdade, mas um favor que, após ter sido feito, entendido e compreendido, você nunca mais deixará de utilizá-lo dessa forma, mesmo com a maior das dificuldades em fazê-lo.

Que forma afinal seria essa?

E com prazer, e só após tê-la compreendido, é que me vem logo à memória um exemplo para facilitar-vos o entendimento.

O exemplo do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que passou 27 anos injustamente preso e, logo após sua soltura, venceu uma eleição presidencial em que seu primeiro ato oficial como presidente eleito daquela nação foi perdoar quem confessou e cometeu tal injustiça, tal crime, tal escárnio contra ele.

Veja, em circunstâncias absolutamente normais, o sul-africano, no mínimo, nem teria citado tal acontecimento. Porém, diferentemente da maioria, Nelson Mandela FEZ QUESTÃO de perdoar aquela atrocidade, e é aqui onde entra o perdoar em benefício próprio. Mandela, com esse ato, não só seguiu o mais lindo dos ensinamentos bíblicos, mas tirou principalmente de si um peso tremendo, atingindo por completo o significado de PERDÃO.

Ele tira de si não só um peso imensurável, mas atinge por completo um estágio espiritual de não se envenenar com um sentimento que em nada somaria à sua vida e à sua espiritualidade.

É preciso entender que, muito pior do que não perdoar, é manter dentro de si um sentimento de raiva e ódio que lhe corrói diariamente. Mandela, em sua humildade, inteligência e tamanha espiritualidade, PERDOOU a todos, principalmente para tirar de si tais aflições.

Parece um contrassenso, mas se raciocinarmos bem, o perdão faz muito melhor a quem o dá do que a quem o recebe.

Jesus Cristo não disse claramente dessa forma, mas deixou nas entrelinhas, para aqueles que têm o raciocínio, inteligência e, sobretudo, um bom coração, fazê-lo e ensiná-lo.

O já falecido prêmio Nobel da Paz e tantas outras pessoas entenderam o recado do maior ser humano a pisar na terra. Será que você, após essa leitura, também conseguirá entender? Torço muito que sim, pois foi com esse propósito que, às 4 horas da madrugada, acordei, vi uma entrevista com o ator norte-americano Will Smith e compreendi o pouco que me faltava para entender completamente o significado verdadeiro de PERDOAR.

O ato de perdoar transcende a mera absolvição do outro; é uma libertação interior para quem oferece o perdão. Ao liberar o rancor e a mágoa, abrimos espaço para sentimentos mais leves e construtivos.

Essa escolha consciente de abandonar o fardo emocional nos permite seguir adiante, sem o peso do passado nos aprisionando. Perdoar é, portanto, um ato de profunda autocompaixão e um passo essencial na jornada do autoconhecimento e da cura interior.

Além disso, o perdão possui um poder transformador que irradia para além do indivíduo. Ao optarmos por liberar a raiva e o ressentimento, rompemos o ciclo de negatividade que pode perpetuar conflitos e sofrimento. Essa escolha corajosa contribui para a construção de relacionamentos mais saudáveis e para um ambiente social mais harmonioso. O exemplo de figuras como Nelson Mandela demonstra como o perdão, mesmo diante de profundas injustiças, pode ser um catalisador para a reconciliação e a construção de um futuro mais promissor.

Em última análise, o perdão não se trata de esquecer a dor ou de justificar as ações do outro, mas sim de escolher a própria paz interior. É reconhecer que nutrir sentimentos negativos somente nos prejudica, impedindo nosso crescimento pessoal e espiritual. Ao perdoar, nos concedemos a oportunidade de curar feridas emocionais, de aprender com as experiências passadas e de nos tornarmos pessoas mais fortes e resilientes. É um ato de amor-próprio que nos impulsiona em direção a uma vida mais plena e significativa.

Termino como de costume com uma frase, e hoje escolhi a frase da “mãe do coach”, a escritora número 1 do New York Times, doutora e PhD, Chérie Carter-Scott:

“A raiva te torna menor, enquanto o perdão te força a crescer além do que você era”.

Por Júnior Belchior.

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