Apologética

A Dor da Ausência e a Força que Permanece – Júnior Belchior

Não é fácil lidar com a perda de um ente querido; é sempre doloroso, corrói o coração, estraga a alma e deixa saudades invariavelmente insubstituíveis.

Não é a primeira vez e, obviamente, não será a última que passaremos por tal dissabor. Afinal, a vida é um sopro e o reencontro é uma certeza já anunciada por Jesus Cristo há dois mil anos.

A falta é um martírio, a ausência dói e a falta de uma palavra mais acalentadora é terrível. Mas a vida deve seguir; é preciso continuar. Mesmo com as perdas, cada um de nós tem uma missão que nos foi dada pelo Pai, e apenas Ele poderá terminá-la e nos chamar para perto de si.

Para os mais novos, é drasticamente mais difícil. Não compreendem os “porquês”, não estão preparados devido à pouca experiência e à pouca vida que possuem.

Eu bem conheço essa dor. Aos 19 anos, perdi a pessoa que me ensinara o pouco que a idade permitia, que era o alicerce de toda a família e que nos transmitia segurança e conforto.

De repente, tudo se esvaiu como água entre os dedos; tudo foi perdido. Deus me deu forças para ver meu pai ainda deitado na pedra para ser vestido, segurar uma das alças do seu caixão, me despedir e vê-lo lentamente descendo para debaixo da terra enquanto as lágrimas escorriam pela face vagarosamente.

Não existe sentimento de impotência maior do que assistir a tudo aquilo imóvel e sem nada poder fazer, olhando para meus irmãos e vendo o mesmo desespero estampado em seus olhos.

Após tantos anos, hoje repetiu-se a mesma impotência. Com mais experiência, hoje, tenho que ser ainda mais forte para acalentar meus filhos, cujos corações estão em lágrimas. Apesar da enorme tristeza, minha função hoje é engolir o choro e confortar os mais novos.

Minha sogra era uma pessoa boa, humanizada, que não teve oportunidade em um país que maltrata seus filhos desde sempre. Mulher aguerrida, pacificadora, ao perder seu cônjuge há 15 anos, senti-me na obrigação de convidá-la para residir comigo, acompanhar os netos. E graças a Deus que eu o fiz, pois ela nunca foi um peso, nunca reclamou e sempre tinha um sorriso no rosto para nos confortar.

Tinha medo de ficar sozinha, vinha rapidamente ter comigo pedindo para me fazer companhia, e eu sempre lhe dizia: “Não tenha medo, Jesus está aqui conosco e Ele não dorme. Ademais, temos o Barbosa” (brincava eu, referindo-me ao cachorro caramelo que adotei) “que também está na proteção de qualquer eventualidade”.

Minha sogra era um exemplo tácito de desapego material; tudo dava, nada fazia questão. Era realmente uma pessoa liberta de qualquer tipo de vaidade material.

A falta será enorme, as conversas farão falta e as risadas de um medo inexplicável já não poderão ser ouvidas e debatidas.

Lamento não poder ter feito mais. Usei todos os conhecimentos que tinha para vê-la retornar a casa, mas a vontade de Deus é soberana e meus esforços e orações não deram outro curso ao final.

Termino sempre com uma frase, e hoje escolhi uma frase do escritor português Fernando Pessoa: “O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”.

Júnior Belchior

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