
Na coluna de hoje, abordarei um tema que gera dúvidas de interpretação no cotidiano de muitas pessoas: a vontade de Deus.
Infelizmente, as igrejas atuais muitas vezes limitam-se a pregar sobre prosperidade, amor e perdão, sem aprofundar-se no essencial: a explicação genuína da Palavra de Deus. Por isso, hoje esclarecerei de forma simples a diferença entre a vontade permissiva e a vontade perfeita e absoluta de Deus. Muitos confundem esses conceitos, outros nunca os ouviram, resumindo tudo à frase clássica: “Foi a vontade de Deus”. Mas, na verdade, a questão é mais complexa.
Em síntese, Deus nos concede liberdade mesmo quando nossas escolhas não refletem Seu desejo perfeito. Sem essa permissão, seríamos meros escravos da vontade divina. Sua bondade e misericórdia são tão grandes que incluem até o direito de não adorá-Lo, como no caso dos ateus.
É preciso maturidade para orar. Cuidado com o que você pede, pois Deus pode conceder algo que esteja apenas em Sua vontade permissiva e não na perfeita. É comum vermos pessoas insistindo em desejos específicos, mas o correto é submeter-se à vontade Dele, não à nossa. Nossos pedidos, muitas vezes, são contaminados por emoções, vaidade ou ansiedade, e não enxergamos as consequências futuras.
Eu mesmo já pedi coisas que não recebi e hoje entendo que era a proteção divina me afastando de algo ruim. A chave está em Romanos 12:2: ”Transformai-vos pela renovação da mente, para que experimenteis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Quando algo traz paz, frutos duradouros e alinhamento com os princípios bíblicos, é sinal da vontade perfeita. Já situações que geram caos ou contradizem a Escritura, mesmo que “permitidas”, exigem cautela.
Muitas vezes, questionamos Deus: “Por que isso aconteceu? Por que fulano e não eu?” A resposta está no discernimento entre o que Ele permite e o que Ele projeta. Até mesmo Jesus, no Getsêmani, orou: “Não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus 26:39). Esse é o modelo de submissão que devemos seguir.
Este texto é dedicado ao meu amigo e colega Felipe, que pediu que eu explicasse o assunto. Encerro com uma frase de Paul Washer, um dos maiores pastores contemporâneos: “Não somos chamados para sermos aceitos, somos chamados para glorificar a Deus”.
Carlos Belchior
