Apologética

9 de Julho – Júnior Belchior

Mais um 9 de julho chega, trazendo consigo a marca de um ano que se completa, um ciclo que se finda. Confesso que celebrar meu aniversário nunca foi do meu feitio. Comemorações a meu respeito, seja qual for o motivo, não me atraem. Não tenho nada contra quem as aprecie; muito pelo contrário, sinto imensa felicidade ao ver a alegria estampada no semblante de quem festeja.

Sempre que esta data se aproxima, um pensamento automático e agridoce me inunda: a gratidão de ter vivido “x” anos a mais que nosso Senhor Jesus Cristo se mistura à tristeza silenciosa de saber que, apenas quinze dias depois, seria o aniversário do meu pai. É uma dança de sentimentos que já virou rotina, um misto que jamais se dissipou da minha mente.

Minha gratidão a Deus pela vida, pelo privilégio de respirar e viver mais um ano segundo Sua vontade, é imensa. É a vontade de Jesus Cristo e Sua infinita misericórdia que me permitiram chegar até aqui. Sua graça imerecida é, de fato, singular e um verdadeiro acalanto para a alma.

Quando olho para trás e revisito as batalhas que venci, exclusivamente pela misericórdia divina, sinto uma certeza profunda: minha jornada nesta vida ainda não terminou. Deus, em Sua infinita sabedoria, ainda reserva algo para mim. Após onze cirurgias – muitas delas reflexo de um gravíssimo acidente automobilístico –, uma pandemia global e tantos outros desafios, estar vivo é, sem dúvida, um milagre daquele que nos rege.

Dizer que a vida tem sido fácil seria uma inverdade. Contudo, diante de um cenário mundial de pobreza extrema, dificuldades incessantes, guerras e uma desigualdade gritante, reconheço-me como um ser verdadeiramente privilegiado. Tenho uma família exemplar, irmãos que são verdadeiros presentes, filhos com saúde, sobrinhos que enchem minha vida de afeto, amigos leais que se fazem presentes na menor adversidade e prontos a ajudar, um trabalho que me realiza e um pet, o famoso Barbosa, que me proporciona incontáveis alegrias.

Talvez eu já tenha percorrido a metade, ou até mais, do caminho que me separa do encontro com o Criador. No entanto, a morte não me amedronta, pois carrego a certeza da vida eterna. A convicção de que aquele imenso sacrifício na cruz também foi por mim me liberta do medo de morrer. O que realmente me assusta é não viver, mesmo estando vivo, é deixar de experimentar a plenitude que a existência oferece.

Neste 9 de julho, não há pedidos a fazer, demandas a apresentar, culpas a cobrar, reinvindicações a levantar, absolutamente nada a reclamar. Há, sim, muito, mas muito a agradecer. Agradecer a um Deus vivo, pois meu Deus não morreu na cruz, não tem sepultura para ser visitada, não está enterrado, não foi cremado e muito menos desapareceu. Meu Deus vive, realiza milagres diariamente, transforma o impossível em realidade constantemente, está comigo 24 horas por dia e permanece assentado à destra de Deus Pai, aguardando o dia de Seu retorno triunfante.

Termino sempre com uma frase, mas hoje escolhi duas. Uma delas, meu falecido pai às vezes dizia: “O que se leva dessa vida é a vida que se leva.” E a outra, escrita pelo apóstolo Paulo à igreja de Coríntios: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam.”

Júnior Belchior 


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