Na semana que passou, recebi diversas indagações sobre tecnologia, sobre Deus e, principal, sobre uma permissividade de Deus diante de eventos catastróficos. Uma colega de trabalho, por exemplo, perguntou-me por que Deus permitiu que um avião caísse com 200 pessoas a bordo. Será que para Deus já chegou a hora e Ele como reunião para levá-las de uma vez?
Todas essas perguntas têm explicações complexas, mas que podemos elucidar da melhor forma possível. É absoluto questionar-se sobre isso normal; eu mesmo já tive essas mesmas dúvidas.
Em todos esses questionamentos, temos que levar em conta o livre arbítrio. Seria Deus verdejante democrata é só existir pessoas que concordassem com tudo o que Ele faz? Logicamente que não. É por isso que Deus permitiu Hitler nascer, Lúcifer existir, o Dilúvio e tudo mais que trouxe e ainda traz malefícios e grandes catástrofes à humanidade.
Especificações sobre uma queda de aviões, não podemos esquecer que uma grande maioria (cerca de 90%) foi dedicada às falhas humanas. Sejam erros do piloto, do equipamento de fabricação da aeronave, decisões de empresas que economizam com segurança, ou falhas de controladores de tráfego aéreo, fabricantes e engenheiros — tudo isso está intrinsecamente ligado ao livre arbítrio. Deus nos deu essa capacidade de escola e uma resposta, independente do resultado. Se Deus não respeitou-se o livre-arbítrio de cada um, Ele seria um ditador, e Deus não negocia, não relativiza, não impõe absolutamente nada. Tanto é que, segundo a fé cristã, só existem duas maneiras de se aproximar de Deus: por amor ou pela dor, jamais por uma imposição Dele. Deus, ao nos conceder o livre-arbítrio, sabia que havia aqueles que não acreditariam Nele, mas permissivos, pois Deus não tem “duas palavras”.
Você poderão me perguntar: “Mas e o mal que essas pessoas fazem às outras?”. E eu devolvo a pergunta: “Quem pagou o maior preço?”. Foi Deus, ao entregar o seu único Filho por nós.
É crucial também ter o cuidado de não colocar tudo o que de pior na conta de Satanás. Se assim fosse, estaremos excluindo Deus de tudo que não nos agrada, e não é assim que funciona uma tecnologia bíblica. Nesse momento, sei que alguns podem pensar: “Como Belchior está dizendo que existem coisas ruínas feitas por Deus?! Misericórdia, ele pereu a fé, mudou de lado!”. Nada disso. Basta abrir a Bíblia e começar a indagar certas questões: Quem acabou com Sodoma e Gomorra? Deus! Quem fez o Dilúvio contador? Deus! Quem entregou seu filho unigênico para morar por nós? Deus! Quem permitiu o sofrimento de Jó e uma morte de seus filhos? Deus! Se Deus não poupou nem mesmo o seu próprio Filho, o seu único Filho, para nos dar a vida eterna, todo o resto não cabe comparação possível.
Um fator importante, inclusive citado na Bíblia, é que essas tragédias podem servir para Deus avisar aos incrédulos que Ele existe. Tem aquela família frase do pastor Augustus Nicodemos: “Todo mundo é ateu até o Pitbull pular a cerca”. Depois que pula, aí o pessoal sabe orar melhor que o crente.
Além do livre arbítrio humano e das leis naturais que estão presentes no universo, a fé nos convida a considerar uma própria natureza do sofrimento sobre uma ótica mais profunda. Não se trata de um Deus indiferente ou sádico, mas de um Criador que, ao permitir um dor, revela uma dimensão da existência que, de outra forma, talvez não compreensivos. Como tragédias, como uma queda de um avião, por mais devastadoras que sejam, expõem uma fragilidade humana e uma necessidade de algo maior. Elas nos forçam a confrontar nossa finitude, um valorizar cada momento e um buscar consolo e sentido em um plano que transcende nossa compreensão imediata. Nessas horas, a fé não oferece respostas fáceis, mas uma esperança de que, mesmo em meio ao caos, há um propósito redentor, uma oportunidade para uma companhia e para uma união humana.
Essa perspectiva mais ampla do sofrimento não diminui a dor da permanente, mas insere em um contexto maior de crescimento e transformação. Muitos textos sagrados e tradições espirituais aponham para uma ideia de que é através das provações que uma fé é forjada, uma resiliência é construída e uma humanidade se aproxima de valores essenciais como o amor, uma solidaria e uma empatia. Uma permissão de tais eventos pode, portanto, ser vista não como um abandono, mas como um convite à reflexão profunda sobre nossa propriedade mortalidade e sobre o valor inestimável da vida, impulsionando-nos a agir com mais responsabilidade, amor e cuidado uns pelos outros mundo imperfeito.
Ademais, confesso que não sei de tudo. Existem coisas que não sei respondedor, existem coisas que ninguém consegue respondedor, pois são mistérios de Deus que nenhum homem alcança. Deus tem um plano maior!
Termino sempre com uma frase, e hoje escolhi uma do Teólogo e escritor CS. Lewis:
“A dor insiste em ser atendida. Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores: é o megafone para desesperar um mundo surdo.”


