Relacionamentos

É bem verdade que, atualmente, existe uma geração que demonstra muito mais facilidade em todos os quesitos quando o assunto é “intimidade”. Hoje em dia, o “ficar” é praxe; não há mais a mesma consciência de respeitar a família, o nome e a reputação. A mentalidade parece ser a de viver cem anos em cinco, e o mundo que aguente.
Saídas, baladas e shows tornara-se rotina de encontros efêmeros, sem valor, com pouco ou nenhum compromisso, apenas para uma lamentável competição de quem consegue se autodegradar primeiro. Os pais, infelizmente, perderam o poder de imposição e, se porventura tentam impor limites, o problema está criado. Pai e mãe viraram reféns de seus filhos, pois o Estado, na acertada tentativa de coibir espancamentos, proibiu tudo, até mesmo o que a Bíblia referencia.
Namorados e namoradas foram rebaixados a “ficantes” ou nem a isso. A situação tornou-se extremamente difícil de explicar e muito mais fácil de camuflar, o que, de fato, elimina qualquer compromisso dessa roda-gigante. Quando o indivíduo é de fora do grupinho ou tem alguma característica diferente, a situação se complica no mínimo dez vezes mais. Esse “ser” tem que ser escondido, camuflado, virar literalmente um fantasma para não comprometer a outra pessoa, que finge não dever explicações a tal grupo, mas, no fundo, deve todas e mais algumas.
Graças a Deus, no meu tempo isso não existia. Os problemas eram menores, as oportunidades, limitadas, mas o compromisso e a seriedade eram enormes. O respeito era um fundamento basilar para se namorar alguém. Hoje, infelizmente, tanto faz como tanto fez; o importante é ser da turma, falar a gíria e se portar do jeito que melhor se encaixa nesse universo de fantasia.
Minha preocupação é quando essa juventude crescer, virar adulta, a beleza diminuir, os “rolês” perderem o sentido e a ilusão do que parecia eterno cair por terra. É preciso orientar essa juventude, mostrar caminhos, apontar os destinos prováveis de tanto desatino e degradação. O homem ou a mulher séria de hoje não mudou; continua exigente e não irá se comprometer com quem passou uma vida nas festas de uma cidade onde todos se conhecem.
O maior erro dessa geração do milênio (nascidos de 2000 para cá) é acreditar que absolutamente nada os atinge, que são imortais, antienvelhecimento e protegidos por alguma divindade que os deixará com o mesmo vigor, vontade e devaneios de outrora. Essa percepção de invulnerabilidade os impede de enxergar as consequências a longo prazo de suas escolhas e de valorizar o que é genuíno e duradouro. A busca incessante por gratificação instantânea e a aversão ao compromisso podem levar a um vazio existencial quando a realidade da vida adulta se impõe, revelando que a juventude e a superficialidade são efêmeras.
A liberdade, quando desacompanhada da responsabilidade, pode se tornar um fardo pesado. A ausência de limites e a permissividade excessiva, muitas vezes confundidas com autonomia, podem privar essa geração das ferramentas necessárias para construir relacionamentos saudáveis e duradouros.
Diante da superficialidade das interações e a falta de compromisso, que parecem tão atraentes no presente, podem resultar em solidão e arrependimento no futuro, quando a necessidade de conexões profundas e significativas se fizer mais presente. É fundamental que se compreenda que a verdadeira liberdade reside na capacidade de fazer escolhas conscientes e responsáveis, que honrem a si e ao próximo.
Termino, portanto, afirmando que nada é para sempre, tudo tem um fim. Que cada um saiba, nesse meio tempo, agir com bom senso, com respeito e sabendo que o amanhã é tão ou mais importante que o de hoje.
Júnior Belchior

