Apologética

O Teatro das Redes Sociais: A Ilusão da Felicidade Perfeita – Junior Belchior

Redes Sociais

Tenho navegado pelas redes sociais desde a sua criação, e é interessante e curioso como esse fenômeno é mágico. Nas redes sociais, não há tristeza, pobreza ou doença; nada do que é realmente a vida é encontrado nessas plataformas ilusórias. A ilusão começa com as fotos, onde só há pessoas bonitas — graças aos aplicativos que transformam qualquer um em algo incrivelmente diferente. São como cirurgias plásticas online, onde os gordos ficam magros, os feios se tornam lindos, os baixos ficam altos, a cintura se afina, o rosto se torna uma obra de arte, e essa roda de ilusão não para de girar, deixando os usuários da plataforma completamente perplexos.

Nesse mundo virtual do Brasil, não existe crise; a economia é superior à dos EUA, e a cultura deixa os europeus no chinelo. Até a frase “Deus é brasileiro” faz sentido aqui, com tanta sabedoria sobrenatural. Na educação, você se depara com cursos e professores para tudo, em todas as áreas imagináveis, com uma inteligência infinita.

A quantidade de cursos para ensinar a ganhar dinheiro é incontável. Às vezes, é assustador ver quantas pessoas entendem de Economia, Bolsa de Valores, Bitcoin, aplicações financeiras, jogos, apostas, e assim por diante. Aparentemente, há um oásis de sabedoria aqui, mas ainda não entendi por que não há milhões de milionários fora das redes sociais.

Outra curiosidade é a quantidade de viagens que cada pessoa faz. Parece que todo mundo viaja vinte vezes por ano, de cidade em cidade e de continente em continente. O céu é o limite, e em breve, poderemos vê-los até na lua. Em termos de saúde, só existem atletas de alto desempenho.

O Brasil online é campeão olímpico em todas as modalidades, com uma quantidade impressionante de pessoas polivalentes, de mestres do xadrez a saltadores com vara. O Brasil se tornou uma referência mundial, algo que eu nem sabia. O último item notável é o vestuário. As roupas são tão bonitas que é impossível ver algo errado. A ideia de usar a mesma roupa foi deixada para trás; a elegância reina, e as principais cidades da moda, como Milão, Paris e Nova York, estão anos atrás desse grupo de pessoas elegantes e com bom gosto.


Claro, isso não é uma generalização, mas é evidente que o número de pessoas sem problemas e com as características mencionadas acima é surpreendentemente alto. Outra batalha nesse cenário é a busca incessante por mais seguidores, curtidas e comentários, a ponto de afetar até casamentos.

Diante de todas essas coisas extraordinárias, a palavra “crise” parece ser considerada fake news. A desconexão entre o que se vê e o que se vive é um dos maiores dilemas da era digital, gerando uma pressão social invisível para se encaixar em padrões irrealistas. A comparação constante com vidas aparentemente perfeitas cria um ciclo vicioso de ansiedade, baixa autoestima e até depressão. As redes sociais se tornam um palco onde todos atuam, mas a cortina nunca se fecha, e a exaustão emocional de manter a personagem acaba corroendo a saúde mental por dentro.

Além do impacto psicológico, as redes sociais criam um ecossistema econômico baseado na ilusão. A proliferação de “gurus” que prometem riqueza instantânea em troca de cursos e fórmulas mágicas é uma extensão natural dessa cultura da aparência. A facilidade com que esses “especialistas” se projetam como milionários bem-sucedidos, muitas vezes sem qualquer prova real de seu êxito, ilude uma massa de seguidores sedentos por uma saída fácil da realidade.

Esse “hustle culture” digital, onde o trabalho árduo é minimizado em favor de uma suposta genialidade, é uma armadilha que consome recursos financeiros e esperança, perpetuando a ideia de que a felicidade e o sucesso são mercadorias que podem ser compradas, e não conquistadas com esforço e paciência.

Peço sinceramente que Deus ilumine essas pessoas, que dê discernimento para deixar de lado essa disputa de vaidade onde a vida parece uma novela, para começarem a buscar a realidade que foi dura até para o nosso salvador e senhor, Jesus Cristo. Essa sanha de tentar passar o que não existe é abominável aos olhos de Deus, e quem realmente tem uma vida nesse estilo geralmente não a mostra. São pessoas comedidas e introspectivas, que nada têm a mostrar, até porque não precisam disso.

A verdadeira riqueza não se mede em curtidas ou em viagens postadas, mas na paz de espírito, na autenticidade das relações e na satisfação de viver uma realidade, com suas imperfeições e suas belezas. A humildade e a gratidão por aquilo que se tem são virtudes que resistem à superficialidade do mundo digital.

Termino sempre com uma frase, e hoje escolhi a frase do filósofo francês, um dos mais importantes do iluminismo, Voltaire: “O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si”.

Júnior Belchior

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