Aborto

Recentemente, o STF iniciou a discussão sobre a descriminalização do aborto. O primeiro voto proferido foi o da excelentíssima ministra Rosa Weber, que adiantou seu voto nessa importante matéria antes de deixar o STF. Aproveito para dizer que não é meu papel ser o árbitro do mundo e atacar as opiniões e convicções de qualquer cidadão, muito menos da suprema corte do meu país. Apenas dou minha opinião sobre o tema e espero receber o mesmo respeito em troca. Sou veementemente contra o aborto, não apenas por questões religiosas, mas por convicção, respeito à vida e por acreditar que somos regidos pela Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Causa-me uma angústia intensa que pessoas já nascidas decidam sobre quem pode ou não fazer o mesmo. Já se perguntaram se seus pais tivessem pensado nessa hipótese? Já imaginaram se os pais de Albert Einstein, Pelé, Isaac Newton ou Madre Teresa de Calcutá tivessem tido tal vontade, ou permissão? Seria trágico. A tese é sempre a mesma: que até 12 semanas o feto não tem isso ou aquilo e, portanto, não seria “matar”. Dizem que apenas as mulheres mais vulneráveis recorrem economicamente a clínicas clandestinas e que a descriminalização evitaria riscos, entre outros argumentos.
Essa tese “maravilhosa” talvez funcionasse ou fizesse sentido nos anos 30, mas em 2023 todas essas premissas parecem ultrapassadas e, em minha opinião, injustificáveis. A primeira premissa a desmoronar é a ideia de regulamentar para que todos tenham as mesmas condições médicas. Essa questão, em minha opinião, é obsoleta. Hoje, temos dezenas de métodos contraceptivos, como preservativos, pílulas, DIUs, injeções e outros. Nada justifica tirar uma vida devido a uma irresponsabilidade do casal.
A outra premissa dos defensores da descriminalização é a discussão sobre quando a vida começa. Afirmo categoricamente, sem medo de errar, que a vida começa na concepção. O momento da fertilização, quando o espermatozoide encontra o óvulo, cria uma nova entidade biológica com um código genético único e distinto, que não é da mãe nem do pai, mas um ser completamente novo. Com 12 semanas, os órgãos do feto já estão completamente formados e, a partir daí, crescem e se desenvolvem até o final da gestação.
Diversos órgãos já começam a funcionar e a produzir suas próprias substâncias. Por exemplo, a glândula hipófise, localizada no cérebro, produz uma série de hormônios que regulam os sinais vitais da criança e outros processos metabólicos. A medula óssea começa a produzir células que fazem parte do sangue, como glóbulos brancos e vermelhos.
O bebê já começa a fazer uma série de movimentos, como bocejar, abrir a boca, soluçar, engolir líquido amniótico e se movimentar ativamente. A pele é transparente, as cordas vocais se formam, os primeiros fios de cabelo começam a crescer, os ossos ficam mais resistentes, e o intestino começa a se deslocar para o local correto, dentro do abdome do bebê. Complementando ciência e fé, cito um versículo bíblico: Jeremias 1:5: “Antes mesmo de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que viesses ao mundo, Eu te separei e te designei para a missão de profeta para as nações!” Deus nos conhece antes mesmo da nossa formação no ventre, o que contesta a premissa citada no voto da excelentíssima ministra.
A premissa de que a maternidade é uma escolha, não uma obrigação coercitiva, a própria ministra já diz tudo: é realmente uma escolha, uma escolha de quem se previne e decide ter um filho com seu parceiro. Tudo o mais já é amparado pela lei, como em casos de estupro, má-formação ou risco para a mãe. Falar em imposição no século XXI não me parece razoável. O Estado brasileiro oferece vários métodos contraceptivos através do SUS, e há informações mais do que suficientes sobre o tema.
A discussão sobre a descriminalização do aborto, embora se apresente como uma solução pragmática para a saúde pública, desvia o foco do problema real. A verdadeira questão não é se devemos legalizar o aborto, mas por que tantas mulheres se veem em uma situação de desespero a ponto de considerá-lo.
A resposta está na falta de suporte social, econômico e emocional para mães em vulnerabilidade. Em vez de abrir a porta para a interrupção da vida, a sociedade deveria investir em políticas públicas que ofereçam redes de apoio robustas, programas de educação sexual mais eficazes, e condições dignas para que cada mulher possa acolher a vida que carrega com dignidade e segurança. A maternidade não deveria ser um fardo, mas uma possibilidade cercada de apoio.
Como evangélico, sou totalmente contra a descriminalização do aborto, inclusive porque o feto não é uma extensão do corpo feminino; ele apenas se desenvolve no útero e é expulso naturalmente ao fim da trigésima oitava semana de gestação. Na minha humilde visão, apenas Deus tem o direito de decidir quem vive e quem morre, e não cabe ao ser humano tomar essa decisão. Repito mais uma vez: o feto não é uma extensão do corpo feminino. A crença na santidade da vida é um alicerce que transcende a ciência e a lei, e nos convida a reconhecer em cada ser, desde a sua origem, um plano e um propósito divinos.
Termino com uma citação do genial poeta Mário Quintana: “O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo… Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito.”
Júnior Belchior

