Apologética

O Pecado Esquecido que Deus Mais Abomina – Júnior Belchior

Deus Mais Abomina

Muitos, ao lerem o título desta coluna, provavelmente imaginaram pecados como assassinato, traição ou desobediência aos pais. De fato, todos esses são gravíssimos. No entanto, a Bíblia mostra que o pecado que Deus mais abomina são as contendas: discussões, brigas, fofocas, discórdias e polêmicas.

E, para ser ainda mais específico, a pior forma de contenda é aquela que coloca uma pessoa contra a outra por meio da fofoca. Esse tipo de atitude é objeto de completa repulsa da parte de Deus.

Obrigado por ler! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.

É através dela que tudo começa. É da contenda que nascem os conflitos — sejam eles físicos ou psicológicos. Muitas vezes, de forma quase imperceptível, ela surge quando uma terceira pessoa leva uma palavra maldosa: “Fulano disse isso de Beltrano…” E, a partir daí, o caos se instala, trazendo consequências que ninguém consegue prever.

As contendas têm um poder destrutivo semelhante a uma pequena fagulha em uma floresta: começam pequenas, mas rapidamente podem se transformar em um incêndio incontrolável. O que parecia apenas uma conversa banal pode acabar destruindo famílias, amizades de anos, igrejas inteiras e até comunidades inteiras. É por isso que a Bíblia alerta tanto sobre o perigo da língua e do mau uso das palavras (Tiago 3:5–6).

Além disso, a contenda nunca permanece no mesmo lugar em que nasceu. Ela se espalha. Quem ouve a fofoca passa adiante, quem se sente ferido responde com outra acusação, e o ciclo vai se multiplicando. É como um veneno que corre nas veias de um corpo, atingindo partes que sequer estavam envolvidas no início. O inimigo se aproveita dessas brechas para semear divisão onde deveria haver união.

Em contrapartida, surgem os pacificadores: os mansos de coração, que não alimentam a ira nem a vaidade.

É ser aquele que desmonta a contenda, que leva a paz, que une em vez de dividir. É ser promotor da reconciliação. Foi o próprio Jesus quem disse: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29).

A contenda nasce do orgulho, da arrogância e da vaidade. O fruto dela é sempre o mesmo: confusão, dor e divisão.

A Escritura é clara sobre o quanto Deus detesta o espírito contencioso. Em Provérbios 6:16–19, entre as sete coisas que o Senhor abomina, está “o que semeia contenda entre irmãos”.

Jesus, por outro lado, exaltou os pacificadores: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9). Isso mostra que a paz é expressão da vontade de Deus, enquanto a contenda reflete a carne e o ego ferido.

Quando nos entregamos às contendas, semeamos discórdia que cresce e se espalha, afastando pessoas, destruindo relacionamentos e até ferindo a vida espiritual. É um pecado que não apenas machuca o próximo, mas também corrói a própria alma, pois fere a comunhão que Deus deseja.

Outro ponto importante é que a contenda rouba o tempo e a energia que poderiam ser usados para coisas boas. Enquanto pessoas gastam suas forças em discussões sem fim, poderiam estar servindo, edificando, amando e ajudando. O apóstolo Paulo advertiu a Timóteo a “evitar as contendas de palavras, que para nada aproveitam, e são para perversão dos ouvintes” (2 Timóteo 2:14). Ou seja, além de não trazer benefício algum, a contenda ainda corrompe os que estão ao redor.

Ainda assim, há esperança. Deus nos chama a abandonar a contenda, a buscar o perdão, a humildade e o amor.

Tiago 3:17 declara que a sabedoria que vem do alto é “pura, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos”. É essa sabedoria que precisamos cultivar para vencer o espírito contencioso.

Mais do que evitar a contenda, somos chamados a ser instrumentos da paz: construir pontes onde existem muros, viver o amor que Cristo nos ensinou e, assim, demonstrar que somos verdadeiramente filhos de Deus.

Se você percebe que as contendas têm tomado espaço em sua vida, é tempo de buscar reconciliação e permitir que o Espírito Santo restaure o que o pecado tentou destruir.
A paz é possível e Deus está pronto a ajudar quem deseja mudar

Termino sempre com uma frase, e hoje escolhi uma de William Shakespeare, o mestre da tragédia e do drama humano:
“Há feridas que não podem ser vistas com os olhos.”

Júnior Belchior

Obrigado por ler! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.

Leia também

O Silêncio que Fala A Vontade de Deus: Permissiva ou Perfeita? Entendendo a Diferença – Por Júnior Belchior 9 de Julho – Júnior Belchior

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *