Jesus não nasceu em dezembro!

A coluna de hoje é especialíssima. Eu diria mesmo que é imperdível, tanto para quem gosta do assunto quanto para quem não gosta.
Estudar a Bíblia não é tão simples como pode parecer. É necessário ter paciência, oração, ler as entrelinhas e, acima de tudo, fé para que tudo corra conforme a vontade de Deus.
O dia 25 de dezembro simboliza para todos os cristãos o nascimento do nosso Senhor Jesus Cristo. Instigado e já ciente de que essa data não era a verdadeira, comecei a estudar o tema. Confesso que não foi fácil: passei horas, durante vários dias, tentando achar uma pista da data real ou, pelo menos, da mais aproximada que tivesse respaldo bíblico, histórico e lógico.
Após cerca de quinze dias, dedicando-me um pouco a cada dia, consegui o que tanto buscava: uma data aproximada para o nascimento do maior homem que já pisou na Terra.
Peço-vos, portanto, que leiam com calma e, se puderem, abram a Bíblia, pois não é fácil explicar tudo apenas com palavras. Fiz o melhor que pude com o modesto conhecimento que possuo.
Primeiramente, é preciso entender como funciona o calendário judaico e, nisso, agradeço ao “Google” pela ajuda concedida.
O calendário judaico é lunissolar, com anos de 12 ou 13 meses baseados nas fases da Lua, mas ajustado para se alinhar às estações solares por meio de anos bissextos, que adicionam um mês extra em um ciclo de 19 anos. Já o calendário gregoriano é estritamente solar, baseado no movimento da Terra ao redor do Sol, com um ano comum de 365 dias e um dia extra a cada quatro anos.
Outras diferenças incluem o início do dia, que ocorre ao pôr do sol no calendário judaico e à meia-noite no gregoriano, e a flexibilidade do calendário judaico, que pode ter anos com 353 a 385 dias, em contraste com o ano gregoriano de 365 ou 366 dias. O primeiro mês do calendário judaico, chamado Nisan, corresponde normalmente a março ou abril no nosso calendário.
Na época do rei Davi, havia um grande número de sacerdotes para servir no Templo. Para organizar esse serviço, ele os dividiu em 24 turnos (ou famílias sacerdotais) que se revezavam ao longo do ano (1 Crônicas 24).
Como havia 12 meses, cada mês foi dividido em duas partes, e cada grupo servia por aproximadamente 15 dias. Assim, por exemplo, do dia 1º ao dia 15, servia uma família sacerdotal; do dia 16 ao fim do mês, entrava outra. Essa ordem permitia que todos os sacerdotes tivessem seu momento de ofício no Templo ao longo do ano.
Na lista de 1 Crônicas 24:10, a oitava ordem sacerdotal é a de Abias. Pelo cálculo do calendário, essa família exercia seu turno entre os dias 15 e 30 de junho.
É exatamente nesse contexto que o Evangelho de Lucas menciona o sacerdote Zacarias, pai de João Batista, que pertencia à ordem de Abias (Lucas 1:5). “No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias; Isabel, sua mulher, também era descendente de Arão.”
Durante seu turno no Templo, entre 15 e 30 de junho, Zacarias recebeu a visita do anjo Gabriel, que anunciou que sua esposa Isabel, mesmo sendo estéril e de idade avançada, conceberia um filho (Lucas 1:11–13). “Apareceu-lhe, então, um anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Vendo-o, Zacarias turbou-se, e apoderou-se dele o temor. Mas o anjo lhe disse: Não temas, Zacarias, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João.”
Ao término de seu serviço, Zacarias voltou para casa (Lucas 1:23), e Isabel concebeu João Batista logo em seguida. Isso situa a concepção de João Batista no final de junho ou início de julho.
Lucas 1:26–31, relata que, no sexto mês da gravidez de Isabel (ou seja, em dezembro), o anjo Gabriel apareceu também a Maria, anunciando que ela conceberia Jesus pelo Espírito Santo. “No sexto mês, Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, a uma virgem prometida em casamento a um homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria.”
Se João Batista foi concebido em junho/julho, sabemos que, exatamente seis meses depois, em dezembro, ocorreu a concepção de Jesus Cristo, conforme demonstrei biblicamente.
A gestação humana dura, em média, nove meses. Sendo assim, João Batista nasceu entre março e abril, justamente no período da Páscoa judaica, o que não poderia ser diferente, e explico o porquê.
Na tradição judaica da Páscoa, sempre se deixa uma cadeira vazia para o profeta Elias, esperado como o precursor do Messias. Jesus, mais tarde, identifica João Batista como o Elias que havia de vir (Mateus 11:14). “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que estava para vir.” Neste versículo, Jesus identifica João Batista como o profeta que, segundo as profecias, deveria preceder o Messias.
Retomando o raciocínio: se João Batista nasceu em março/abril, Jesus nasceu cerca de seis meses depois, o que nos leva a setembro, e não a dezembro.
O Evangelho de João reforça essa ideia com uma expressão significativa: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). A palavra grega traduzida como “habitou” é eskenosen, que literalmente significa “armou seu tabernáculo”. Essa expressão é entendida como uma referência direta à Festa dos Tabernáculos, celebrada em setembro/outubro.
Unindo os textos bíblicos e o funcionamento do calendário judaico, a cronologia fica clara:
Junho/Julho: Concepção de João Batista.
Dezembro: Concepção de Jesus Cristo.
Março/Abril: Nascimento de João Batista (Páscoa).
Setembro: Nascimento de Jesus Cristo (Festa dos Tabernáculos).
Dessa forma, as Escrituras indicam que Jesus não nasceu em dezembro, como é celebrado tradicionalmente no Natal, mas sim em setembro, em meio a uma das festas mais significativas para Israel.
Temos, então, uma trindade de eventos alinhada às três principais festas do judaísmo: João Batista nasceu na Páscoa, Jesus Cristo na Festa dos Tabernáculos, e o Espírito Santo desceu em Pentecostes, 50 dias após a ressurreição de Cristo.
Termino sempre com uma frase e, hoje, escolhi uma do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, em Mateus 11:11: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no Reino dos Céus é maior do que ele.”
Júnior Belchior

