Apologética

EM DEFESA DO PROFESSOR TASSOS LYCURGO – JÚNIOR BELCHIOR

TASSOS LYCURGO

Preciso começar este artigo deixando clara minha conexão com o professor Tassos Lycurgo. Sou teólogo como ele, já fiz cursos sob sua orientação, compartilhamos a mesma fé cristã e, como irmão em Cristo, não posso ficar calado diante da injustiça vergonhosa que está acontecendo. Não se trata apenas de defender um colega de área, mas de tomar posição firme contra um ataque que, se não for contido, estabelecerá um precedente perigoso para todos os cristãos que atuam na academia brasileira.

Quando grupos de estudantes organizam abaixo-assinados exigindo a expulsão de um docente não por incompetência profissional, não por má conduta acadêmica, mas exclusivamente por suas convicções religiosas e políticas, estamos diante da manifestação mais perigosa de intolerância travestida de progressismo. É exatamente isso que vem acontecendo com o professor Tassos Lycurgo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Estamos falando de um professor titular com currículo invejável. Lycurgo tem doutorado em Educação pela própria UFRN, mestrado em Filosofia Analítica pela prestigiosa Universidade de Sussex, no Reino Unido, dois pós-doutorados – um em Apologética Cristã pela Oral Roberts University, outro em Sociologia do Direito pela UFPB. É advogado, graduado também em Filosofia, tem especialização em Direito do Trabalho. Atuou como Diretor Nacional do Departamento de Patrimônio Imaterial do IPHAN, lidando diretamente com a UNESCO em relações internacionais. Atualmente é pesquisador visitante do Reasons to Believe, na Califórnia.

Décadas de dedicação ao conhecimento. Orientou dissertações de mestrado, publicou livros sobre filosofia, direito e educação, leciona na graduação e pós-graduação. Tem reconhecimento internacional e mais de um milhão de seguidores nas redes sociais.

Mas para um grupo de estudantes articulados ideologicamente, nada disso importa. Importa apenas que o professor ousa pensar diferente. Ousa questionar narrativas como o racismo estrutural, ousa defender uma visão de mundo cristã, ousa expressar posições conservadoras em seus canais pessoais. Por isso, dizem, ele precisa ser expulso.

Não há nada de espontâneo nessa campanha. O próprio Lycurgo denunciou: “militantes comunistas da UFRN se somam a grupo político nacional para exigir a minha expulsão”. Notas coordenadas nos grupos de WhatsApp, dossiê montado, denúncias protocoladas na Ouvidoria, hashtags nas redes. Acusam-no de “transfóbico, conspiracionista, racista”. Mas não apresentam uma única evidência de aula tendenciosa, de aluno prejudicado, de abuso de posição ou violação ética.

Eis o novo totalitarismo: não se contesta a competência, contesta-se a divergência. Lycurgo resumiu perfeitamente: “Quando a política vira religião, o contraditório vira blasfêmia”.

A universidade deveria ser o espaço do debate, do confronto de ideias, da busca pela verdade. Está virando ambiente de intimidação ideológica onde só uma visão de mundo é tolerada.

A Constituição garante, no artigo 206, a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento” e o “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas”. Não é concessão administrativa. É direito fundamental.

Obstar a discussão de concepções políticas, filosóficas ou religiosas dentro dos limites legais é censura. Vigiar a atividade do professor fora da sala de aula é a antítese da liberdade acadêmica.

O ataque a Lycurgo não é caso isolado. Pesquisas recentes mostram que 58% dos cientistas brasileiros conhecem colegas que sofreram intimidação em pesquisas ou aulas. Outros 27% já se autocensuraram por medo. A universidade brasileira está adoecendo de sectarismo.

Os acusadores falam em “diversidade”, mas são intolerantes com diversidade de pensamento. Falam em “inclusão”, mas querem excluir quem pensa diferente. Invocam democracia praticando autoritarismo. A hipocrisia é evidente.

Lycurgo compartilhou algumas mensagens que recebeu: “escória”, “traste”, “m*rda”, “psicopata”. É este o vocabulário da tolerância progressista? É este o nível do debate universitário? Quando o argumento vira xingamento, a universidade morreu.

A deputada Camila Araújo foi direta: “Se ele defendesse liberação das drogas, erotização de crianças, legalização do aborto, não estaria sendo perseguido”. A observação é pertinente. A universidade pública brasileira tolera perfeitamente quem propaga marxismo cultural e relativismo moral. Mas aí de quem professa cristianismo ou defende valores conservadores!

Que fique claro: as opiniões de Lycurgo podem e devem ser debatidas. Suas posições sobre racismo estrutural, ideologia de gênero ou outros temas merecem contestação – com argumentos, não com campanhas de cancelamento. Se os alunos discordam, que apresentem argumentos melhores. Se suas pesquisas têm falhas, que sejam demonstradas academicamente. Se suas aulas são inadequadas, que haja avaliação pedagógica.

Não é isso que está acontecendo. Trata-se de perseguição ideológica pura, linchamento moral de um professor cujo único “crime” foi exercer liberdade de expressão. Os grupos que pedem sua expulsão não querem debate. Querem silenciamento. Não querem diálogo. Querem submissão.

Lycurgo está certo: “existe um processo deliberado de subversão cultural nas universidades, que deixaram de ser centros de busca pela verdade para virarem laboratórios de engenharia social e doutrinação ideológica”. A hegemonia nas universidades públicas é fato. Departamentos inteiros de humanas foram colonizados por uma única perspectiva, que se tornou totalitária, incapaz de conviver com divergência.

Os mesmos que acusam Lycurgo de intolerância praticam a mais brutal intolerância: a que não admite sequer a existência do pensamento divergente. Os mesmos que condenam o “discurso de ódio” protagonizam campanha de ódio orquestrada. Os mesmos que invocam “segurança” de minorias querem tornar o ambiente inseguro para cristãos e conservadores.

A UFRN precisa ser clara: reafirmar a liberdade acadêmica, repudiar intimidação ideológica e defender o direito do professor Lycurgo de manter suas convicções. A universidade pública não pertence a grupos militantes. Pertence à sociedade brasileira plural – que inclui cristãos, conservadores e pessoas com as mais variadas visões.

Se a UFRN ceder à pressão sem que Lycurgo tenha cometido falta comprovada, estará admitindo que virou refém de facções políticas. Estará dizendo aos cristãos e conservadores que não são bem-vindos na universidade pública. Estará cavando a própria sepultura como instituição de ensino.

A sociedade brasileira, especialmente a comunidade cristã, precisa prestar atenção. O caso Tassos Lycurgo não é incidente isolado. É sintoma de doença grave: a erosão da liberdade acadêmica em nome de uma suposta justiça social que significa apenas imposição ideológica.

O Supremo Tribunal Federal já decidiu, por unanimidade, que “exercício de autoridade não pode se converter em ato de autoritarismo”. Os grupos que tentam expulsar Lycurgo praticam exatamente isso: querem definir o que pode e não pode ser pensado na universidade.

A história não será gentil com quem, alegando combater intolerância, praticou intolerância real. Não será gentil com quem, dizendo defender democracia, calou vozes dissidentes. Não será gentil com quem transformou a universidade em bunker ideológico.

Professor Tassos Lycurgo, saiba que não está sozinho. Milhões de brasileiros – cristãos e não cristãos, conservadores e liberais, pessoas que ainda valorizam liberdade de pensamento – estão ao seu lado. Sua luta não é só sua. É de todos que acreditam que a universidade pública deve ser espaço de pluralismo genuíno.

A universidade nasceu na Europa medieval como espaço onde todas as questões podiam ser debatidas à luz da razão. Ao longo dos séculos sobreviveu a reis tiranos, inquisições, ditaduras. Resistiu porque sua essência é a liberdade. Os inquisidores de hoje vestem camisetas de movimentos sociais e empunham bandeiras identitárias. Não prevalecerão.

Lycurgo disse: “Voltar às coisas permanentes – verdade, fé e razão livre – é a nossa esperança”. Enquanto houver professores dispostos a defender esses princípios sob ameaças, a universidade ainda tem chance. Que o caso Tassos Lycurgo sirva de alerta contra o novo totalitarismo que quer transformar nossas instituições em campos de reeducação.

A questão é simples: ou a universidade brasileira retorna aos princípios da liberdade acadêmica e do debate racional, ou continua sua decadência. Defender Lycurgo é defender a própria ideia de universidade. É defender o direito de pensar livremente. É defender a democracia contra seus coveiros.

“A verdade não teme a investigação. Só o erro precisa do apoio da força governamental. A verdade pode se manter sozinha.” – Thomas Jefferson

Júnior Belchior

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