Apologética

Graça Divina: A Salvação pela Fé e Não por Obras – Por Júnior Belchior

Imerecidamente

É comum e habitual que as pessoas conversem sobre a vida e a morte, o céu e o inferno, merecimento ou não, e a conversa quase sempre termina na simples conclusão de que quem pratica o bem irá para o paraíso, e quem não o faz irá para o inferno. Aparentemente, a maioria pensa que funciona dessa forma e, achando que ser bom é o suficiente, segue em frente, acreditando que está tudo certo. Ledo engano.

A salvação não está diretamente ligada à bondade, a boas ações, a ter um bom coração, ou mesmo à justiça de ter tido uma vida de obediência e devoção. Esses não são os fatores que determinam quem será salvo e viverá para sempre, e quem não será e passará a eternidade no inferno, como dizem popularmente.

Inclusive, faço aqui um adendo para dizer que o inferno não é controlado ou regido por Satanás, como muitos afirmam, pois foi assim que lhes ensinaram. O dito cujo, o tinhoso, não controla absolutamente nada, nem mesmo o inferno. Tudo é controlado por nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, e é lá que o encardido arderá juntamente com outros.

A ideia de que o diabo controla o inferno não consta em nenhuma parte da Bíblia sagrada, portanto, não passa de uma lenda que provavelmente foi passando de geração em geração por quem sequer pegou numa Bíblia. Esclarecido esse ponto, digo que se ganhássemos um lugar no céu por merecimento e bom coração, estaríamos todos perdidos, pois, mesmo sendo o melhor dos seguidores, jamais chegaríamos perto de conquistar tal privilégio, tamanha é nossa insignificância.

Toda a salvação nos é dada pela graça e a misericórdia de Deus, e de nada adiantaria fazer todo o bem do mundo, pois não bastaria para alcançar tal galardão. É por isso que devemos orar incessantemente a Deus para que Ele tenha piedade de nós. Toda salvação é pela graça, não existe outro caminho, atalho ou passagem, fora da pura e magnífica graça de Cristo. Portanto, podemos apenas orar para sermos salvos e merecer tal graça e estar na eternidade ao lado de Jesus Cristo quando for a hora devida.

O apóstolo Paulo, no livro de Efésios, nos fala claramente sobre o assunto: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).


A doutrina das obras, tão arraigada no pensamento popular, ignora o grande sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Se a salvação pudesse ser conquistada por méritos humanos, o calvário seria desnecessário. A morte de Cristo foi o preço infinitamente alto pago para redimir a humanidade de seus pecados, um ato de amor e misericórdia que não poderia ser igualado por nenhuma boa ação.

Aceitar a salvação pela graça é, portanto, reconhecer a nossa completa incapacidade de nos salvarmos por conta própria e abraçar a dádiva de um perdão imerecido. É a única forma de nos libertarmos do peso do legalismo e da vaidade de acreditar que a nossa bondade é suficiente para nos tornar dignos de um lugar no céu.

O apóstolo Lucas também nos mostra a graça de Deus no capítulo 23, versículos 42 e 43. Jesus, já crucificado, recebe o pedido de um dos ladrões também crucificados: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino” (Lucas 23:42). Em resposta ao arrependimento e ao pedido, Jesus lhe respondeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43). Como essa pessoa foi escolhida por Cristo Jesus para receber tal galardão? Certamente não foi pelas obras, mas pela graça recebida no último momento de vida. Esse é um dos exemplos mais poderosos de que a salvação não se baseia em uma vida de boas ações, mas em um ato de fé e humildade.

A graça, no entanto, não é um convite à inércia ou à falta de responsabilidade. O apóstolo Paulo, embora enfatize a salvação pela fé, nos adverte sobre a necessidade de uma vida transformada. A gratidão pela salvação deve nos impulsionar a viver uma vida de santidade, a praticar a justiça, a bondade e a misericórdia não como um meio de salvação, mas como uma resposta natural ao amor de Deus.

A salvação é de graça, mas o discipulado, como disse Billy Graham, custa tudo o que temos, exigindo um compromisso diário com a transformação do nosso caráter para nos assemelharmos mais a Cristo.

Existem diversas passagens bíblicas demonstrando a graça de Jesus Cristo durante os três anos em que levou e ensinou o evangelho a inúmeras pessoas e lugares.

Termino sempre com uma frase e hoje escolhi uma do grande evangelista contemporâneo, Billy Graham, que disse: “A salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos”.

Júnior Belchior

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