
Ultimamente, tenho pensado bastante nessa palavra (inutilidade). Quando ela ocorre com você, é chegado o tempo de refletir. Assim sendo fá-lo-emos juntos.
Quando na juventude se opta em seguir um caminho, deixando tudo para trás, a sua utilidade é magnânima, corajosa, sensata e até alvo de exemplo nas rodas de conversas.
O grande, porém, é que o tempo passa, sua utilidade vai perdendo importância e num determinado momento, já não serve mais.
A tão importante singularidade da sua ajuda e dedicação, já não é suportada, o que passou, passou e até substituído foi.
O sacrifício do começo é literalmente esquecido, colocado na vala comum e perde-se a importância de outrora para virar algo normal, corriqueiro e sem importância.
A inutilidade é o esquecimento do tempo pretérito e a morte do tempo futuro, onde havia relevância e adjetivos graciosos que, atualmente, foram trocados por crítica, inoperância e insucesso.
O ser humano tem memória fraca, geralmente é relapso com o passado e esquecido pelo que fizeram por ele. O que realmente vale é se fulano tem condições de me fazer avançar mais, caso eu ache o contrário é dada a carta de alforria e o pontapé nas nádegas.
Aos poderosos, só interessa o futuro e as pessoas que foram aparecendo enquanto o filme já ia a mais de meio, para serem chamados de “pai da criança” terminando de humilhar quem já serviu e perdeu relevância.
Isso listado nos parágrafos acima, pode ocorrer em diversas circunstâncias, seja num emprego, numa amizade, num grupo político, ou até numa irmandade mais próxima.
Imediatamente, você é colocado de lado, remanejado, posto de fora, mesmo de toda e qualquer decisão mais importante, até o dia em que o “tiro” final chega e somos recambiados diretamente para a caixa prego, como diria o outro.
Logicamente esses atos de crueldade histórica e falência da memória, são feitos por pessoas cuja personalidade é extremamente egoísta, vil e narcisista. A tal da pessoa que se acha autossuficiente é deveras lamentável, sozinho ninguém vai a lado nenhum e sem Jesus Cristo é que não vai mesmo.
A frase para esses casos é simples e bíblica, inclusive: Jeremias 17:5 “Eis o que diz o Senhor: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!”
É preciso repensar, rever conceitos, nenhum ser humano pode descartar outro só pelo simples querer, ao menos que professe uma fé que desconheço.
Termino sempre com uma frase e hoje recordei-me de uma frase do escritor e filósofo russo Fiador Dostoiévski, o qual é considerado um dos maiores romancistas e pensadores da história, bem como um dos maiores “psicólogos” que já existiram na acepção mais ampla do termo, como investigadores da psiquê: “Se alguém quiser reduzir o homem a nada, basta dar ao seu trabalho o caráter de inutilidade”.
Júnior Belchior

