Apologética

O Segredo do Cálice: O Medo Que Jesus Enfrentou. – Júnior Belchior

O Segredo do Cálice

Este é o texto mais complexo que já escrevi, e tudo começou com uma pergunta simples de amigos. Enquanto concluo meu curso de teologia, fui questionado: que cálice era aquele que Jesus pediu para ser afastado dele no Jardim do Getsêmani? A resposta está escondida em um mistério que poucos ousam desvendar.

Inclusive, em oração no próprio Jardim, Jesus, em Mateus 26:39, diz: “Meu Pai! Se for possível, afasta de mim este cálice. Contudo, que seja feita a tua vontade e não a minha”. Jesus repetiu essa frase 3x.

Essa é talvez uma das perguntas mais centrais de todo cristianismo, estamos diante de um Jesus Cristo em forma humana, sabendo o sofrimento que irá por vir e principalmente o fardo que teria que carregar.

É lógico e cristalino que Jesus sabia de sua missão, sabia do que estava por vir, sabia de seus algozes, mas uma coisa e apenas uma, Jesus Cristo sabia, mas nunca havia passado por ela. Era a falta da presença do pai, Jesus nunca ficou 1 dia sem a presença do pai, mas para tirar todo o pecado do mundo ele teria que ser julgado com a ira de Deus e sem sua presença, o que o assustava e dava medo, mas não o medo que sentimos, era um medo espiritual, um medo de abandono, muitos teólogos pensam que Jesus teve medo, eu não minha humilde opinião creio que não teve esse medo carnal dos homens, mas um medo espiritual, pois ficaria sem a presença do pai pela primeira vez.

Já vi inclusive briga entre pastores, padres, debates teológicos sobre o tema, pois não existe consenso sobre tal medo, já cheguei a apartar uma briga entre dois irmãos evangélicos devido ao tema e não há necessidade disso.

Se Jesus teve medo, medo carnal, não há nenhum óbice nisso ele veio ao mundo como ser humano e não como divindade e era passível de dor, traumas, infortúnios como todo ser humano, ou alguém aqui pensa que Jesus enquanto criança e adolescente não sujava fralda, não brincava com amigos, não falava com a mãe e com o pai? É lógico que sim!

E caso não tenha sofrido esse receio carnal, a qual é a hipótese que defendo, mas sim o espiritual, também não existe nenhum problema, pois seria a primeira vez que ele estaria sem a proteção e tutela de seu pai.

Muitas pessoas acham que esse cálice era a consciência de que ele seria abandonado pelos seus discípulos, que seria cuspido, exposto à cruz, às câimbras, às dores, à humilhação e a todo resto.

Mas digo-vos com total certeza que o cálice era que ele, bendito eternamente, seria feito maldição por nós.

O cálice era a consciência de Jesus que na cruz o pai lançaria sobre ele a iniquidade de todos nós e ali não havia beleza nele e a bíblia diz que o pai teve prazer em moê-lo, pois naquele momento estava sobre ele todos os nossos pecados, toda a nossa sujeira, toda corrupção e toda violência entranhada em nós e por causa disto Deus não o via como filho, mas sim como o maior dos pecadores.

O cálice do Getsêmani nos revela a profundidade do seu amor e sacrifício. Não era apenas uma morte dolorosa, mas uma separação total do Pai. Ele, o perfeito Cordeiro, se entregou voluntariamente para que pudéssemos ser salvos. Essa agonia nos força a confrontar a verdadeira gravidade do pecado.

A dor de Jesus no Jardim e na cruz não foi um simples evento histórico, mas o ponto central da redenção. Ele se tornou a maldição para que fôssemos abençoados. Seu grito de “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” não foi um lamento de fraqueza, mas o eco do cálice que ele bebeu por nós. Ele experimentou o inferno de estar separado de Deus para podermos ter a vida eterna e a comunhão com Ele. Essa é a verdadeira essência da cruz e o maior ato de amor já testemunhado.

Jesus Cristo recebeu todo castigo que estava para recair sobre as nossas cabeças, recaiu sobre ele. É por isso que as pessoas não têm a dimensão do que Jesus passou por nós, não foi somente o sofrimento carnal, foi o sofrimento espiritual que o deixou quase sem norte.

A morte de Cristo na cruz nós a chamamos de morte vicária (morte substitutiva). Foi o sofrimento vicário porque, por mais que eu sofra, eu sofro pelos meus pecados e não pelos pecados dos outros, no caso, os nossos pecados.

Espero ter conseguido trazer luz a este tema, que nos convida a olhar para o Getsêmani não como uma história conhecida, mas como um thriller espiritual. Um compromisso que assumi é sempre tentar elucidar as entrelinhas das Escrituras, sabendo que estou longe de saber tudo, mas cada dia mais perto de saber mais.

Termino com a frase do nosso Senhor Jesus Cristo, um pedido de perdão que ecoa desde a cruz: “Pai, perdoa esta gente! Eles não sabem o que estão fazendo”

Júnior Belchior

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