Apologética

A Vontade de Deus: Permissiva ou Perfeita? Entendendo a Diferença – Por Júnior Belchior

Na coluna de hoje, abordarei um tema que gera dúvidas de interpretação no quotidiano de muitas pessoas: a vontade de Deus.

Infelizmente, as igrejas atuais muitas vezes limitam-se a pregar sobre prosperidade, amor e perdão, sem aprofundar-se no essencial: a explicação genuína da Palavra de Deus. Por isso, hoje esclarecerei de forma simples a diferença entre a *vontade permissiva* e a *vontade perfeita e absoluta de Deus. Muitos confundem esses conceitos, outros nunca os ouviram — resumindo tudo à frase clássica: “Foi a vontade de Deus”*. Mas, na verdade, a questão é mais complexa.

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Na *vontade permissiva*, Deus permite que escolhamos certos caminhos, mas as consequências dessas escolhas são nossas. Já na *vontade perfeita*, não há riscos, pois, como diz Romanos 12:2, *”a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável”*. A permissão divina existe para garantir nosso livre-arbítrio (embora, linguisticamente, “livre” seja quase um pleonasmo ao lado de “arbítrio” — mas deixemos essa discussão para outro texto, assim como o conceito calvinista de “livre agência”, que exige uma análise à parte).

Em síntese, Deus nos concede liberdade mesmo quando nossas escolhas não refletem Seu desejo perfeito. Sem essa permissão, seríamos meros escravos da vontade divina. Sua bondade e misericórdia são tão grandes que incluem até o direito de não adorá-Lo , como no caso dos ateus.

É preciso maturidade para orar. Cuidado com o que você pede, pois Deus pode conceder algo que esteja apenas em Sua vontade permissiva — e não na perfeita. É comum vermos pessoas insistindo em desejos específicos, mas o correto é submeter-se à vontade dEle, não à nossa. Nossos pedidos, muitas vezes, são contaminados por emoções, vaidade ou ansiedade, e não enxergamos as consequências futuras.

Eu mesmo já pedi coisas que não recebi — e hoje entendo que era a proteção divina me afastando de algo ruim. A chave está em Romanos 12:2: *”Transformai-vos pela renovação da mente, para que experimenteis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”*. Quando algo traz paz, frutos duradouros e alinhamento com os princípios bíblicos, é sinal da vontade perfeita. Já situações que geram caos ou contradizem a Escritura, mesmo que “permitidas”, exigem cautela.

Muitas vezes, questionamos Deus: “Por que isso aconteceu? Por que fulano e não eu?”. A resposta está no discernimento entre o que Ele permite e o que Ele projeta. Até mesmo Jesus, no Getsêmani, orou: “Não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus 26:39). Esse é o modelo de submissão que devemos seguir.

Este texto é dedicado ao meu amigo e colega Felipe, que pediu que eu explicasse o assunto. Encerro com uma frase de Paul Washer, um dos maiores pastores contemporâneos: “Não somos chamados para sermos aceitos, somos chamados para glorificar a Deus”.

Junior Belchior


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