Apologética

Cristãos: A verdade oculta. – Júnior Belchior

A verdade oculta

O tema pode parecer polêmico, mas não é minha intenção ser portador do caos. Apenas irei descrever de forma simples o que compõe a festa de São João, que a maioria das pessoas provavelmente desconhece. Particularmente, como evangélico, não comemoro o São João nem qualquer festa de qualquer outro santo. Respeito a fé dos outros, mas também exijo respeito com a minha. Gosto bastante das comidas típicas e posso até apreciar as quadrilhas juninas ou algo parecido, mas não me apetece muita aproximação. Geralmente, passo o tempo com amigos conversando sobre temas variados.

No tocante ao assunto principal, existe a história que a Igreja Católica nos conta e a história que ela, de forma velada, esconde. A tese da Igreja Católica é uma meia verdade: a justificativa de que o dia 24 de junho era celebrado em comemoração ao solstício de verão no hemisfério norte e à renovação da natureza. A data foi assimilada pelo cristianismo e passou a representar o Dia de São João, cujas festividades costumam ocorrer na noite anterior.

A tese oculta, no entanto, é que o São João nada mais é do que a celebração da morte de João Batista. É importante lembrar que João era primo de Jesus e, ao falar sobre ele, Cristo disse: “Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mateus 11:11). João foi decapitado por pregar a verdade, batizar Jesus Cristo e espalhar a palavra de Deus. Quando celebramos o São João, estamos celebrando não apenas a morte de João Batista, mas também a mentira e a iniquidade, praticadas por aqueles que o assassinaram. O mais curioso é que nem a data escapa, pois foi colocada justamente no aniversário de Herodes, que acatou o desejo de sua enteada e deu a ordem de decapitar João.

O ato de fazer a fogueira e pular vem de celebrações pagãs. Tais rituais celebravam e ainda celebram deuses estranhos, e em algumas ocasiões, crianças eram jogadas nas fogueiras como sacrifício ao deus Moloque. É daí que vem a “tradição” de pular fogueira. O que entristece é ver pessoas que dizem servir a Deus se deixando levar e levando seu rebanho, sabendo que a verdade está sendo escondida. Não há motivos para esconder a verdade e, depois de ela ser dita, quem quiser continuar festejando que o faça. No mundo de hoje, a desculpa campeia; as pessoas dirão: “não tem nada disso” e “o que tem não é nada de mais”, mas a verdade é que as desculpas para tais atos não faltam.


Me perdoem, mas não serei conivente sabendo a verdade. Porém, quem quiser festejar, que festeje. Não sou a palmatória do mundo, mas sigo minhas convicções, respeitando todas as outras. Graças a Deus, meus três filhos me pediram para se tornarem evangélicos. Eu nunca impus a minha vontade, nunca determinei absolutamente nada. Foi tudo advindo da vontade deles. Algumas igrejas ainda têm o descaramento de mudar o nome para “São João Gospel”, “Arraiá Gospel” e nomenclaturas similares. Nesse caso, é gravíssimo, pois o pastor ou o padre conhecem a história e, caso não a conheçam, é de se lamentar profundamente o desconhecimento de quem deveria tê-lo.

Enfim, eu também cometia esse mesmo erro por desinformação, mas a partir do momento em que soube da verdade, nunca mais voltei a cometê-lo e ensinei aos meus filhos o porquê de não irem às festinhas juninas da escola, apesar de nunca os ter proibido. Se amanhã um deles se tornar católico, muçulmano, budista ou espírita, não há problema algum. Eu estou para indicar o caminho e jamais para obrigar a segui-lo. Para muitos, isso pode parecer exagero, mas Deus não enxerga dessa maneira, e sim como obediência e respeito à morte de João Batista. A você que é cristão, digo: Deus não negocia, não joga, não diz que é besteira e não fecha os olhos. Essas coisas são do homem; isso não existe com Deus.

Cada um faz de sua vida o que bem entender, mas há de chegar o dia de prestar contas ao Senhor. Nesse momento, não haverá desculpas para tais atos, pois pecar premeditadamente é muito pior do que por desinformação; é a verdadeira vontade de pecar sem nenhum constrangimento. A frase de hoje é impactante e excelente para que cada um reflita sobre comemorar, mesmo que sem querer, a decapitação de um homem que Jesus Cristo disse: “Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele”. Se Jesus assim o disse, então é uma verdade. A lógica é simples e o entendimento extremamente fácil. Portanto, respeito a todos, mas não participarei de uma festa cujo motivo foi a morte violenta de uma pessoa tão grande como Jesus descreveu.


A história, no entanto, não é estática, e a interpretação dos fatos se molda com o passar do tempo e a evolução das sociedades. O que em sua origem pode ter sido um ritual pagão ou uma celebração de um evento trágico, para muitos, hoje, é simplesmente uma manifestação cultural enraizada, desprovida de qualquer conotação negativa. A fogueira, as danças e as comidas típicas se tornaram símbolos de união, de festividade e de preservação de tradições regionais, especialmente no Nordeste brasileiro. A maioria das pessoas que se reúnem em torno de uma fogueira no São João o faz em busca de alegria e comunidade, e não para celebrar a morte de um santo. A dissociação entre o significado original e a prática atual é um fenômeno comum na história das festas populares, e isso levanta a questão de até que ponto a intenção do praticante não é mais relevante que a origem do ritual.

O desafio para o cristão, como o autor menciona, é navegar por essas águas. É crucial manter a fé e os princípios, mas também é preciso entender o contexto em que os outros vivem. A evangelização não se faz pelo julgamento, mas pelo exemplo, pela coerência e pela paciência em explicar as razões de suas escolhas. Proibir ou condenar sem antes informar pode gerar mais resistência do que conversão. A verdadeira essência do cristianismo está na capacidade de amar e de guiar com a verdade, mas sem a imposição que gera divisões e ressentimentos. A escolha de não participar de uma festa é uma demonstração de fé, mas como essa escolha é comunicada aos outros é uma demonstração de caráter.

Por fim, a reflexão sobre o São João nos convida a um olhar mais profundo sobre todas as nossas tradições. É um exercício de questionamento sobre o que realmente celebramos e por que celebramos. A cultura, as festas e os rituais são construções humanas que refletem valores e crenças, e a responsabilidade de cada um é investigar, entender e, com consciência, decidir qual papel deseja ter nessas celebrações. A busca pela verdade e a coerência entre a fé e as atitudes são, como o autor sugere, os alicerces de uma vida cristã autêntica e inquestionável.

Termino sempre com uma frase e hoje escolhi uma frase do apóstolo Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine”.

Júnior Belchior

Obrigado pela leitura! Inscreva-se gratuitamente para receber novas postagens e apoiar meu trabalho.

Leia também

O poder da oração. Mensagem de um Coração Saudoso: Para o Pai que Vive na Eternidade – Júnior Belchior O que as paredes do Cenáculo não conseguem calar. — Carlos Belchior Júnior.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *