Reflexões

Desalmados – Por Júnior Belchior

Desalmados

Não é de hoje, infelizmente, que os abusos contra as mulheres estão em voga nos debates socio comportamentais, mundo afora. A mulher tem sofrido verdadeiros abusos em quase todos os setores e áreas da sociedade. Nunca se viu tantos casos de mulheres espancadas, humilhadas e desrespeitadas como atualmente.

A situação perdeu o controle. Eu particularmente já não sei dizer se a culpa é nossa, que está criando uma geração em sua maioria machista, deseducada, sem princípios e que só pensa em curtir despudoradamente, ou se a culpa é da natureza humana, que, sem educação, desemboca no extremismo das arcaicas práticas de outrora. É preciso endurecer as penas contra os agressores de mulheres, enrijecer as leis para que o cidadão munido de valentia e mau-caratismo pense 200 vezes antes de praticar qualquer crime dessa natureza.

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Pensando e lendo sobre o assunto para poder me embasar para redigir, notei que muitas mulheres não deixam seus companheiros por questões financeiras. Meditando sobre o tema, talvez a solução seja mais fácil do que se pensa. O agressor deveria ser obrigado a custear a moradia da vítima por um determinado período até que ela se recupere física e psicologicamente de tal covardia.

Recentemente, vimos até médicos agredindo suas parceiras; quem jurou cuidar está agredindo, quem jurou amar está humilhando, quem jurou nunca desamparar está chantageando com o desamparo sentimental, social e financeiro.


É extremamente perturbador observar essa fereza daqueles que pensam que tudo podem, porque socialmente se acham acima de quem quer que seja. Nada me convencerá de que tais brutamontes só o fazem por ter plena e total convicção de que a pena é branda ou que a companheira não dará parte deles aos órgãos competentes.

O problema, no entanto, vai além da punição legal. A raiz da violência contra a mulher está em uma cultura que, de forma sutil ou explícita, ainda permite e justifica a dominação masculina.

Para combater essa chaga social, é necessário mais do que leis; é preciso uma revolução cultural que comece em casa, na escola e em todos os espaços de convivência, educando, meninos e meninas, para o respeito mútuo, a igualdade e a dignidade humana.

A omissão e o silêncio da sociedade são cúmplices silenciosos da violência. Quando presenciamos uma situação de abuso e não agimos, seja por medo ou por indiferença, estamos, de certa forma, compactuando com o agressor. A responsabilidade de proteger as mulheres não é apenas do Estado, mas de cada indivíduo.

É necessário quebrar o ciclo do medo e da vergonha, encorajando as vítimas a denunciarem e oferecendo-lhes um ambiente seguro e acolhedor. O silêncio dos “bons” é, portanto, o terreno fértil onde a violência prospera e se perpetua.

Solução existe, basta que o Congresso assim o queira e o trate como matéria urgente, urgentíssima, tal como outras tantas que são céleres, mas que de nada ou pouco servem, a não ser agraciar a grande maioria dos mesmos cujo mandato pífio se esconde nos alpendres da velha república.

É preciso que os nossos representantes entendam que a segurança e a dignidade da mulher não são temas secundários, mas pilares de uma sociedade justa e civilizada. A prioridade não pode ser dada a interesses políticos ou econômicos, mas à proteção daqueles que mais precisam, e à erradicação de uma violência que destrói famílias, comunidades e o futuro de nossa nação.

Termino sempre com uma frase, hoje escolhi uma extremamente conhecida do doutor Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Júnior Belchior

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