Gugu

O falecimento de Gugu Liberato, um acontecimento ainda inacreditável, nos mostra que a morte é um mistério que jamais compreenderemos plenamente. Gugu era famoso, bem-sucedido, milionário e poderia ter acesso aos melhores hospitais do mundo e aos tratamentos mais modernos para tentar prolongar sua vida em caso de uma doença indesejada. Mas quis o destino que, em um dia qualquer, em sua própria casa, junto de sua esposa e com a saúde perfeita, um pequeno escorregão o levasse ao chão para que nunca mais se levantasse.
Por que não pagou ninguém para fazer o serviço? Por que não percebeu o risco? São muitas perguntas, mas talvez uma única resposta: porque tinha que ser assim. Uma pessoa que sempre levou alegria para os outros, que foi vítima de dezenas de fake news e que sempre ganhou seu dinheiro como fruto do seu trabalho e talento. Aos 60 anos, gugu partiu antes do tempo, de um jeito inesperado, tendo ainda tanto por desfrutar de suas conquistas. É a fragilidade da vida, como sublimemente escreveu Carpintejar. Silvio Santos, seu mentor, com 88 anos, nos dá a sensação de que o filho partiu antes do pai.
O que a morte de Gugu nos ensina? Quem diria que Gugu pereceria antes de Silvio Santos, ou que Ayrton Senna partiria antes de Emerson Fittipaldi, o jovem Dener antes de Pelé, o Boechat antes de Cid Moreira e o alegre e irreverente cantor Gabriel Diniz antes de Roberto Carlos? A vida é um sopro, por isso valorize mais as pessoas do que as coisas, importe-se mais com o exemplo que vai deixar quando lembrarem de você do que com os bens materiais que não poderá levar consigo quando sua hora chegar.
A morte de Gugu, como a de tantas outras figuras públicas e anônimas, reforça a inevitabilidade da partida e a sua imprevisibilidade. Não importa a posição social, a riqueza ou a fama; a vida é um fio tênue que pode ser rompido a qualquer momento, por razões que fogem à nossa compreensão e controle. Essa realidade, por mais dolorosa que seja, serve como um lembrete constante de que o tempo é um recurso finito e inestimável, e que cada instante deve ser vivido com propósito e gratidão, longe da ilusão de que o sucesso material ou a saúde plena nos garantem a eternidade.
A verdadeira riqueza de uma vida não se mede pelos bens acumulados, mas sim pelo impacto que causamos nas pessoas e pelo legado de valores que deixamos. Gugu, com sua alegria e dedicação, construiu um legado de entretenimento e afeto que transcende sua própria existência. Sua partida nos convida a refletir sobre o que realmente importa: as relações humanas, os momentos compartilhados, a gentileza e o amor que distribuímos. São essas memórias e sentimentos que permanecem vivos no coração daqueles que ficam, muito depois que os bens materiais se desvanecem.
Você pode desejar ser famoso, rico, bem-sucedido e tudo isso ser muito válido. Você pode estar atravessando um momento difícil, um desemprego, uma doença, um divórcio, mas nada disso é o seu fim. Olhe para os seus braços, você ainda pode lutar; olhe para as suas pernas, você ainda pode caminhar; respire fundo e perceba: apesar de tudo, você continua vivo. E se você está vivo, então não deu errado. “Viva a noite”, o dia, viva intensamente e lute até o fim! A vida, em sua essência, é um convite constante à superação e à resiliência, um lembrete de que, enquanto houver fôlego, há esperança e a possibilidade de recomeçar e construir um novo capítulo.
Júnior Belchior

