Apologética

O Que Nenhum Pastor ou Padre Te Conta — Parte 2

O Que Nenhum Pastor ou Padre Te Conta — Parte 2

Pastor ou Padre
Israel não ficou perdido 40 anos no deserto por acidente. (da série O Que Nenhum Pastor ou Padre Te Conta)

Todo mundo conhece a história dos 40 anos no deserto. Mas a maioria das pessoas não sabe o que realmente causou esses 40 anos. E, quando você entender a causa real, vai perceber que essa história não é só sobre Israel. É sobre você. O atraso não foi geográfico. Foi espiritual. E a diferença entre essas duas coisas muda tudo. O que o texto bíblico realmente diz?

Existe um equívoco popular que transforma os 40 anos no deserto em uma espécie de aventura inevitável, como se Israel tivesse saído do Egito e simplesmente se perdido no caminho por falta de GPS. A narrativa bíblica conta uma história completamente diferente.

Depois de cruzar o Mar Vermelho, Israel chegou ao Monte Sinai e ficou ali aproximadamente um ano. Esse não foi tempo perdido. Foi tempo de formação. Foi ali que Deus entregou a Lei, estabeleceu o sacerdócio, organizou as tribos e constituiu Israel como nação diante de si. O povo saiu do Egito como uma multidão de escravos e foi moldado no Sinai para funcionar como povo de Deus.

Quando partiram do Sinai, a caminhada até Cades-Barneia foi relativamente rápida. A terra prometida não estava do outro lado do mundo. Estava perto. Acessível. Dentro do alcance de uma geração que tinha visto o mar se abrir, maná cair do céu e a presença de Deus pousar sobre o tabernáculo como nuvem de fogo. A promessa estava próxima. O problema estava dentro do povo.

Moisés enviou doze espiões para reconhecer o território. A missão era simples e o propósito não era descobrir se a terra era boa. Deus já havia dito que era boa. O propósito era preparar o povo para tomar o que já lhes havia sido prometido.

Os doze voltaram e concordaram em um ponto. A terra era exatamente o que Deus havia descrito. Fértil, abundante, um lugar onde leite e mel eram metáfora de uma realidade concreta. Até nisso havia consenso.

Dez espiões voltaram dominados pelo medo. Viram gigantes. Viram cidades muradas. Viram a si mesmos como gafanhotos diante de inimigos poderosos. “E, aos nossos olhos, éramos como gafanhotos; e assim éramos aos olhos deles.” (Números 13:33) Repara no movimento desse versículo. Eles primeiro se diminuíram aos próprios olhos, e só depois projetaram essa diminuição nos olhos do inimigo. O medo começou dentro, não fora.

Dois espiões, Josué e Calebe, viram exatamente a mesma terra, os mesmos gigantes e as mesmas cidades muradas. E chegaram a uma conclusão completamente diferente. “Se o Senhor nos for favorável, ele nos introduzirá nessa terra.” (Números 14:8) Não ignoraram os obstáculos. Simplesmente colocaram os obstáculos no tamanho certo quando vistos ao lado de Deus.

Diante das duas vozes, Israel fez uma escolha. E escolheu o medo. A escolha que custou uma geração.

O texto não suaviza o que aconteceu a seguir. “Então toda a congregação levantou a voz e gritou, e o povo chorou naquela noite. E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão.” (Números 14:1-2)

Choraram. Murmuraram. E chegaram a cogitar abertamente a possibilidade de eleger um líder que os conduzisse de volta ao Egito. De volta à escravidão. De volta às cadeias que Deus havia quebrado com sinais e maravilhas que nenhuma outra nação na história havia presenciado. Isso não era falta de informação. Era incredulidade deliberada.

E foi exatamente isso que Deus nomeou como causa da sentença. “Até quando este povo me desprezará? E até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que tenho feito no meio deles?” (Números 14:11) O problema não era o tamanho dos gigantes. Era o tamanho da fé. Ou melhor, era a recusa de exercer a fé que a evidência já havia justificado de sobra.

A geração que saiu do Egito não entrou na terra prometida. Não por falta de capacidade, não por falta de oportunidade, não por falta de promessa. Entrou por falta de crença no Deus que havia cumprido cada palavra até aquele ponto.

Os 40 anos no deserto não foram um desvio no plano de Deus. Foram a consequência direta de uma geração que preferiu a segurança do medo à incerteza da fé. E Deus, em sua soberania, transformou a disciplina em espera, e a espera em formação de uma nova geração que entraria onde a anterior havia recuado.

Quantos anos você está no deserto, não por falta de promessa, mas por falta de fé para dar o próximo passo? Deus já falou. A palavra já foi dada. Os sinais já foram vistos. Mas existe uma fronteira na sua vida que você se recusa a cruzar porque, do outro lado, há gigantes, e os gigantes parecem maiores do que a promessa.

Israel viu o mar se abrir. Viu o pão descer do céu. Viu a nuvem de fogo. E ainda assim escolheu o relatório do medo. Não porque Deus havia falhado, mas porque o coração humano tem uma capacidade assustadora de acumular evidências da fidelidade de Deus e ainda assim recuar diante do desconhecido.

“Portanto, como diz o Espírito Santo: hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.” (Hebreus 3:7-8) O autor de Hebreus cita exatamente esse episódio no deserto como aviso para a Igreja. A mensagem não ficou enterrada no Antigo Testamento. Ela foi preservada como advertência viva para todo cristão que está na borda de algo que Deus prometeu e ainda não entrou.

O problema de Israel não era a falta do caminho. Era a falta de coragem para caminhar. E coragem, nesse contexto bíblico, não é ausência de medo. É a decisão de avançar apesar do medo, porque a palavra de Deus pesa mais do que o relatório dos gigantes.

Josué e Calebe entraram na terra. A geração do medo morreu no deserto. E a diferença entre eles não foi talento, não foi força, não foi estratégia militar. Foi fé. Uma fé que olhou para os mesmos gigantes e enxergou um Deus maior.

A pergunta que fica é simples e direta: no relatório da sua vida, você está do lado de Josué ou do lado dos dez?

A fé sobe pelas escadas que o amor construiu, e olha pelas janelas que a esperança abriu.
C. H. Spurgeon

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