Omissão

A maioria das pessoas dissocia a omissão do pecado. Ledo engano. A omissão é um pecado, e não existe essa ideia, que alguns querem inventar, de que um pecado é maior ou menor do que o outro. Na verdade, o que muda são as consequências do pecado que você porventura cometa. Caso você mate uma pessoa, a consequência é muito pior do que dar um tapa, por exemplo, mas em ambos os casos existem pecado. Provavelmente, vocês já estão me questionando mentalmente: “Júnior, é pecado eu saber de alguma coisa e ficar calado, bem quietinho na minha?” Resposta: É sim!
Agora, nas vossas cabeças, vem o famoso “por quê?” mas a resposta é simples: caso você saiba de algo que vai prejudicar outra pessoa ou fazê-la sofrer e ficar em silêncio, você pecou por omissão, deixando que um mal maior acontecesse, podendo ter intervindo para, no mínimo, tentar diminuí-lo. Não adianta a desculpa de que “ah, eu sabia, mas não queria me meter” ou “eu fiz isso com você, mas achei melhor não contar”. Tudo balela. A Bíblia diz claramente que tudo o que está oculto será revelado e nos dá outros exemplos, que citarei abaixo. Há muita gente fugindo de suas responsabilidades com essa desculpa esfarrapada, e outros, por realmente não terem o conhecimento de que é pecado.
Imaginem se Jesus Cristo tivesse sido omisso com a mulher adúltera que estava sendo apedrejada, cuja Lei de Moisés amparava aquele ato abominável. Naquele tempo, a pena para adultério era morrer apedrejada. Mas Cristo, que poderia não ter feito nada, interveio e salvou a mulher da morte. Assim como nesse exemplo, temos diversos outros em que a omissão iria acabar em desgraça. É preciso se posicionar. Se for para pecar, que peque pela ação e nunca pela omissão. Já “comprei” briga que não era minha e não fui omisso. No primeiro momento, ainda levei a culpa, falavam que eu estava criando uma história. Porém, não demorou para a verdade vir à tona, e quem havia me culpado teve que engolir seco e pedir desculpas.
A omissão carrega um fardo psicológico e espiritual pesado. O silêncio diante de uma injustiça não é um ato neutro; é uma escolha que nos assombra, gerando culpa, arrependimento e um constante sentimento de ter falhado não apenas com o próximo, mas com nossos próprios princípios. Aquele que se omite busca a paz e a tranquilidade por um caminho falso, o da indiferença, mas encontra a tormenta da consciência pesada. Em contraste, a coragem de se manifestar, mesmo que a princípio traga discórdia, liberta a alma e fortalece o espírito. A atitude de Jesus com a mulher adúltera não foi apenas uma lição de misericórdia, mas um ensinamento sobre a importância de intervir quando o amor e a verdade estão em jogo.
A nossa responsabilidade não se limita a não causar o mal, mas a impedir que ele aconteça quando está ao nosso alcance. No contexto social, a omissão alimenta injustiças e perpetua ciclos de dor. Quando testemunhamos a corrupção, a violência ou a exclusão de alguém e optamos por não agir, somos cúmplices silenciosos do sistema que oprime. É a voz dos justos, o posicionamento dos corajosos e a solidariedade dos fortes que podem mover a sociedade em direção a um futuro mais ético e compassivo. A omissão é para os fracos, covardes e canalhas. Quem confia em Jesus Cristo não se omite; muito pelo contrário, faz justiça. Esse negócio de “sair de fininho” e pagar de santo é coisa de gente morna, que, segundo a Bíblia, Deus vomitará.
O que nos falta é nos aproximarmos mais de Jesus, tentando agir como ele nos ensinou, deixando diversos exemplos para que não errássemos. Jesus Cristo nunca se omitiu, jamais fingiu não ter visto; vendo tudo, nunca deixou de agir, sobretudo nos momentos de maior dificuldade. A sua vida é a maior prova de que o amor e a verdade exigem ação. Sua intervenção na crucificação, mesmo sendo o grande sacrifício, não foi um ato de passividade, mas a atitude mais radical e amorosa para salvar a humanidade. Portanto, a fé não é um refúgio para o silêncio, mas uma convocação para a ação. O versículo de Tiago nos lembra que a fé sem obras é morta, e a omissão de fazer o bem é a maior das inações.
Termino sempre com uma frase e hoje escolhi uma frase bíblica, que vem bem a calhar com o tema citado. A frase está no evangelho de Tiago 4:17: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando”.
Júnior Belchior

