Teatro da Fé

Algumas igrejas, que não citarei para não as colocar em evidência, insistem em apresentar um Deus exibicionista, que precisa de plateia para curar, perdoar ou até mesmo se comunicar com o seu rebanho.
É uma verdadeira afronta a um Deus que age da maneira que quiser e, sobretudo, nos bastidores, afinal, Deus é absoluto em sua onisciência, onipresença e onipotência. Deus é Deus e não tem necessidades circenses, muito menos para provar alguma coisa a alguém ou a alguma plateia específica.
Infelizmente, a gritaria é quase insuportável e ensurdecedora, clamando para que Deus aja naquele momento sobre causas diversas, como se isso dependesse do pastor, padre ou daquele que clama perante uma plateia. O verdadeiro cristão sabe perfeitamente que o milagre vem principalmente devido a dois fatores: a vontade absoluta de Deus e a fé do pecador.
Não adianta resmungar, se debater no chão, pois o Senhor age na hora que quer e quando quer. Esqueçam essa ideia de que o milagre é feito pela vontade do freguês ou intermediado por outra pessoa, seja ela quem for. Jesus Cristo não deixou procuração para ninguém exercer a sua função enquanto não volta para arrebatar os justos pela graça.
Igreja não é circo, teatro nem muito menos lugar de forte gritaria interpelando por um Deus que é a cabeça da igreja e tudo sabe. O milagre é a graça imerecida, geralmente realizada com discrição e sem grandes plateias. Portanto, não será normalmente dentro de certas igrejas, cuja disputa é para ver quem gritará mais alto. A igreja é lugar de aprendizado da palavra, de união, de oração e principalmente de muita paz.
Cada um é livre para frequentar o local que quiser, mas, no meu ponto de vista, a igreja que não ensina a palavra de Deus aos jovens e aos adultos, com o tempo, termina virando uma casa de espetáculos onde ninguém aprendeu absolutamente nada e ainda de quebra ganhou uma rouquidão estrondosa.
Esse estilo de culto, pautado pela emoção e pelo espetáculo, pode até atrair multidões, mas raramente edifica uma fé sólida e madura. O clamor por milagres instantâneos e a ênfase na figura do líder religioso como “intermediário” criam uma religiosidade superficial e dependente.
As pessoas que buscam a Deus nesse tipo de ambiente são levadas a crer que a fé é uma atuação, uma demonstração de energia e fervor que, se bem executada, força Deus a agir. Contudo, essa visão distorcida do evangelho ignora a soberania divina e a importância da fé silenciosa e perseverante, que se sustenta não em sentimentos efêmeros, mas em uma profunda e íntima relação com Cristo.
É a palavra que engrandece, que gera indagações, explicações, aprendizado e até o milagre tão esperado. É ela que nos aproxima do Senhor e nos faz crer no impossível. Jesus foi chamado abundantemente de “Rabi” e “Senhor”, evidenciando que o povo o respeitava como mestre.
Um mestre que ensinava, dava exemplo e que por diversas vezes curava em total sigilo. A verdadeira essência da igreja não está na capacidade de entreter ou de realizar grandes shows, mas na sua missão de ser uma escola de fé, um lugar onde a palavra de Deus é a base de tudo, e onde cada fiel é encorajado a buscar um relacionamento pessoal e direto com o Salvador.
Ide às igrejas; isso é essencial, mas ide com fome da palavra, pois é essa fome que irá fazer o resto acontecer em vossas vidas. Não existe mediador entre nós e Deus a não ser o próprio Cristo. Essa ligação é direta, exclusiva e intransferível. A fé que se sustenta na leitura da Bíblia e na oração individual é a mais forte e verdadeira, pois não se abala com o fracasso de uma “performance” e não se perde com a mudança de líderes. É uma fé que resiste às provações e que encontra em Deus a sua única e verdadeira fonte de poder.
Termino sempre com uma frase e hoje escolhi uma passagem bíblica da qual gosto bastante, escrita pelo apóstolo Paulo: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2:5).
Júnior Belchior
