Apologética

O Milagre Disforme — Por Júnior Belchior

Milagre Disforme

A grande maioria dos milagres feitos por Jesus Cristo foi a pedido do enfermo ou de alguém próximo a ele. Se começarmos a elencar sem ordem cronológica, podemos lembrar que nas escrituras sagradas temos: o milagre da água em vinho, pedido por Maria, mãe de Jesus; o milagre da multiplicação dos pães e peixes, para uma multidão que estava ouvindo Cristo pregar; o milagre do paralítico, que desce pela abertura do telhado onde Jesus estava; o milagre do centurião, que foi ao encontro de Cristo, e muitos outros, chegando até à volta de Lázaro, após a morte.

Milagres, na vida do nosso Senhor e Salvador, não faltam; foram vários, de todos os tipos e seguindo quase sempre o clamor do doente. Existe, porém, o milagre que eu particularmente vejo maior dissonância entre os demais e que é o que mais me fascina de todos eles.

É o milagre da mulher que sofria de uma hemorragia há cerca de doze anos, com muita angústia, solidão e sofrimento. Naquela época, mulheres com esse tipo de problema eram consideradas impuras e, por isso, não poderiam habitar as cidades. O que me desperta fascínio neste milagre são alguns de seus componentes.

Gostaria de elencar alguns: a mulher foi até Jesus, que na ocasião estava indo até a casa de Jairo, onde também realizaria outro milagre. Além de ir até Cristo, provavelmente anêmica e fraca (o texto não diz, mas é uma suposição bastante provável), a pobre mulher já havia gastado todo o dinheiro que tinha com médicos, que em nada a ajudaram.

Consta que, quando ela ouviu sobre Jesus, seguiu a multidão e pensou que, se pelo menos conseguisse tocar na orla de seu manto, seria curada. (A orla do manto seriam aquelas pontas soltas, parecendo fiapos no final do mesmo). E assim foi feito. A hemorroíssa foi curada de seu sangramento imediatamente após conseguir tocar na orla do manto de Jesus, e sentiu que seu corpo estava livre da enfermidade. Jesus, imediatamente, parou, virou-se e perguntou quem havia lhe tocado.

Seus discípulos disseram que uma multidão o seguia e seria normal alguém esbarrar-lhe. Ele respondeu que, desta vez, era diferente, que sentiu que dele saiu virtude. A mulher então se prostrou na frente de Cristo, afirmando ter sido ela a tocá-lo. Jesus responde: “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre do teu mal”. É justamente aqui que este milagre se diferencia: ninguém intercedeu junto a Cristo, nem mesmo a mulher enferma; foi somente a fé daquela crente que a curou. É por isso que tenho este milagre como o mais belo de todos, pois em um pequeno gesto, ele nos ensina muita coisa.

A primeira delas é que basta a fé para que você possa alcançar a graça e a misericórdia divina. Infelizmente, tem gente esperando Cristo descer dos céus e lhe curar (o que seria extraordinário e totalmente possível); porém, essa passagem bíblica nos ensina claramente que basta ter fé, basta crer, basta pedir com verdade e pureza, que o milagre será concedido. Jesus nem viu quem lhe tocou, até porque a mulher sequer chegou a tocar-lhe, mas o milagre foi realizado, pois Jesus Cristo já havia dito: “Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11.25). Mesmo que morra, viverá! Imagine, então, um milagre comparado a tamanha benção.

Todos os milagres são extraordinariamente lindos, mas esse que vos relatei acima sempre me emocionou mais, devido à fé daquela mulher. Queria eu que a humanidade tivesse um pouco dessa enorme fé, pois muitos dos problemas de hoje estariam resolvidos há bastante tempo.

A fé, nesse contexto, transcende a mera crença; ela se manifesta como uma ação, um movimento em direção ao que se busca. A mulher, apesar de sua condição e das restrições sociais, não se resignou ao sofrimento. Sua determinação em alcançar Jesus, mesmo que discretamente, é um testemunho da força que a convicção pode gerar. Ela não esperou por uma intervenção espetacular, mas agiu com a certeza de que um simples toque seria suficiente, demonstrando uma profunda compreensão da virtude divina.

Este milagre ressalta a importância da iniciativa pessoal na jornada da fé. Não se trata de uma espera passiva por um socorro divino, mas de uma busca ativa, impulsionada pela convicção de que a cura é possível. A mulher não pediu permissão, não fez alarde; ela simplesmente agiu movida por uma fé inabalável. Essa atitude proativa é um convite para que cada um de nós examine a própria fé e como a expressamos em nossas vidas, incentivando-nos a ir além da contemplação e a agir com propósito.

Portanto, a história da mulher com hemorragia é um poderoso lembrete de que a fé genuína não se limita a palavras ou pensamentos, mas se concretiza em ações. É a fé que nos impulsiona a superar obstáculos, a persistir diante das adversidades e a acreditar no impossível. Que a sua história nos inspire a cultivar uma fé que não apenas crê, mas que também se move, toca e transforma, revelando o poder ilimitado da graça divina em nossas vidas.

Termino sempre com uma frase, e hoje não poderia ser outra, senão a do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, no evangelho de Marcos, capítulo 9, que diz: “Tudo é possível ao que crer”.

Por Júnior Belchior

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